O primeiro passo para elaborar o orçamento é a identificação rigorosa de todos os rendimentos e despesas. Os rendimentos correspondem ao dinheiro que se recebe e as despesas aos pagamentos que há que efetuar. Ao subtrair as despesas aos rendimentos obtém-se o saldo com a situação financeira.

RENDIMENTOS

Os rendimentos dependem da situação laboral dos membros do agregado familiar e do seu património. Para os trabalhadores por conta de outrem, o salário é certamente a componente mais importante do rendimento. Os trabalhadores empregados podem também receber prémios ou bónus anuais.

No caso dos trabalhadores por conta própria, a principal fonte de rendimento são as receitas da sua atividade profissional.

Os desempregados têm, em geral, acesso ao subsídio de desemprego.

Alguns agregados familiares recebem também abonos de família em função do número de filhos.

Os trabalhadores reformados recebem, em regra, uma pensão de reforma ou invalidez, se for o caso. Podem também receber complementos de reforma, tais como rendimentos de aplicações financeiras que tenham feito voluntariamente durante a vida ativa.

Os agregados familiares podem também receber rendimentos associados ao património, como sejam os juros de aplicações financeiras e as rendas recebidas pelo arrendamento de imóveis.

DESPESAS

Na realização do orçamento familiar as despesas devem ser todas identificadas, independentemente da sua natureza.

Há vários tipos de despesas.

Há um conjunto de despesas que se podem considerar fixas porque têm de ser sempre realizadas, embora o seu montante se possa alterar ao longo do tempo. É o caso dos encargos com o pagamento das prestações dos empréstimos que tenham sido contraídos, como o do crédito à habitação.

Em contrapartida, há despesas que podem ser alteradas. Se necessário podem ser reduzidas. Algumas podem mesmo ser eliminadas, embora a maior parte delas tenha sempre de ser feita, pelo menos até um determinado montante, como é o caso das despesas com alimentação, água, gás e eletricidade. Este tipo de despesas designa-se de despesas variáveis, porque resultam de escolhas feitas pelo agregado familiar.

Os encargos com estas despesas dependem de diversos fatores, como sejam a dimensão do agregado familiar e as preferências individuais e familiares.

O peso de cada tipo de despesa no orçamento familiar é revelante.

Um peso elevado de despesas fixas significa que grande parte do rendimento se destina ao pagamento de encargos que, no curto prazo, são difíceis de ajustar porque se encontram fora da margem de decisão dos membros do agregado familiar.

Quanto maior for o peso das despesas fixas no total das despesas mais difícil se torna a uma família ajustar o seu orçamento a uma eventual queda inesperada do rendimento, devido, por exemplo, a uma situação de desemprego.